Showing posts with label Comportamento humano. Show all posts
Showing posts with label Comportamento humano. Show all posts

DECIDIR FAZ-NOS CRESCER


Na semana passada, ao entregar os registos de avaliação a uma encarregada de educação, disse-lhe: “Além das boas notas, o seu filho destaca-se pela sua autonomia. Essa capacidade está a ser decisiva no seu crescimento quer como aluno quer como pessoa.” A mãe ficou contente, mas não surpreendida; sabia perfeitamente o filho que tinha.
A autonomia é altamente testada quando o aluno passa do ensino básico para o ensino secundário, quando o professor deixa de ser “o paizinho” ou a “mãezinha” e passa a ser “apenas” o orientador do estudo que o aluno tem de fazer… sozinho. Muitos sentem-se perdidos e as notas sucumbem.

Na escola ou na vida, a autonomia começa a conquistar-se quando se começa a decidir. Infelizmente, a maioria dos pais protege excessivamente os filhos, adiando-lhes o confronto com a decisão.
Decidir é muito mais que escolher. Decidir é arriscar falhar, o que mais tarde ou mais cedo irá acontecer. 
É disso que fugimos até não podermos mais. No entanto falhar faz parte da vida.
Não precisámos de decidir tudo o que é relevante na nossa vida quando temos 14 anos, mas precisámos sempre de tomar decisões importantes, em qualquer idade, e assumir as suas consequências.

Qualquer decisão implica risco. Por mais que queiramos controlar as consequências das nossas decisões, há sempre uma margem apreciável de risco, caso contrário não estávamos a decidir nada, mas apenas a confirmar a lógica.
É decidindo que vamos crescendo e nos tornamos mais conhecedores da nossa personalidade. É decidindo que aprendemos as respeitar os outros e nos tornamos tolerantes; é decidindo que vamos conhecendo os mistérios da vida.
A decisão faz-nos mais conscientes do mundo, dos outros e de nós e responsabiliza-nos, mas também nos liberta da angústia “daquilo que podia ter sido”.

Gabriel Vilas Boas

A CARIDADE CHIQUE


O ideal seria que a caridade ou a solidariedade não fossem necessárias, mas sendo, devemos perceber que a primeira coisa a fazer é respeitar as pessoas que precisam dela. Esse respeito traduz-se em discrição.
A caridade chique soa-me quase sempre a hipocrisia.
Na Bíblia, São Mateus ensina: «Não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita».
A caridade/solidariedade é um serviço que a nossa consciência e o nosso coração prestam ao outro, por isso tenho muita dificuldade em compreender que as campanhas de solidariedade sejam um “hapenning social”, que haja necessidade de fotos, publicações no facebook, reportagens jornalísticas, como se aquelas pessoas a quem se dá algo estivessem ao serviço da nossa vaidade.

Com a chegada do Natal multiplicam-se as campanhas solidárias. Na essência são boas e para elas contribuem muita gente com excelentes sentimentos em relação ao próximo, mas acho intolerável que aplaudamos, coloquemos “likes” facebookianos, exultemos quando determinada figura pública se tenta promover à custa de campanhas de solidariedade.

Tentar parecer bom porque fica bem é uma atitude cretina. Mais do que uma chamada de atenção, merece reprovação. Os valores da solidariedade e do amor não podem estar prisioneiros desta gente que não olha a meios para atingir objetivos egocêntricos.
         A mensagem do Natal não é um ícone comercial. Pouco podemos fazer para resgatar o Natal às garras do Centro Comercial, mas temos a obrigação de não deixar que a vaidade de alguns manche sentimentos nobres e sinceros de muitos.
    
     Oferecer um cabaz de Natal, doar roupas, distribuir os brinquedos que os filhos já não querem não precisa de fotos nem de discursos, não necessita que vistamos um roupa de gala nem uma festa envolvente. Lá no fundo é um momento triste, porque aquela mãe ou aquele pai precisaram de estender a mão à caridade para ter aquilo que é básico. Eles precisam que embrulhem aquele ato de humanidade com um abraço, um sorriso, uma palavra de esperança e conforto.  Só isso.


Gabriel Vilas Boas.
Jubi Chan Proudly Powered by Blogger