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UM POLÍTICO CULTO É OUTRA COISA


Através da cultura podemos expressar, de uma maneira sublime, toda a beleza da vida. Infelizmente a política afastou-se da cultura e aproximou-se da boçalidade, levando-nos a desacreditar da vida. Mas é vida é bela, mesmo no meio dos maiores horrores, como se nos ensinou Roberto Benigni.

Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente português, devolveu ao alto cargo que ocupa a grandiosidade que ele merece. Marcelo é um homem muito culto, sensível, afetuoso, humano.
Desde esta semana, Marcelo juntou no Palácio de Belém, residencial oficial do Presidente da República, escritores e alunos. Como é um homem culto e sensível, Marcelo sabe quando e como dar solenidade a um ato cultural, por mais singelo que seja.

Um encontro com um escritor no Palácio de Belém, a convite do Presidente, será sempre um momento inesquecível para milhares de jovens portugueses. Pequenos gestos, mas incisivos.
Enquanto fazia comentário político Marcelo recomendou milhares de livros, incentivou o seu povo à leitura; hoje é Presidente e continua a convidar os jovens a ler, através de ações originais e cativantes.
Uma pessoa verdadeiramente culta, como Marcelo é, está mais preocupada que a cultura invada a alma do seu povo que em fazer gala de todos os seus atributos intelectuais e culturais.
A cultura é um dos atos mais nobres de cidadania. Um cidadão culto é um cidadão informado, com sentido ético e gosto estético. Um político culto sabe como puxar pelo desenvolvimento do seu povo, elevando a exigência de cada um consigo.
A cultura em Portugal pode não ter um grande ministro nem grandes verbas para gastar ou investir, mas tem um Presidente que ajuda imenso com o seu exemplo.
Gabriel Vilas Boas


MARCELO PRESIDE, GOVERNA E ACONSELHA O PAÍS



Se há presidente que exerce com mestria a chamada magistratura de influência é Marcelo Rebelo de Sousa. Agora no poder, Marcelo ampliou a influência que já exercia na sociedade portuguesa enquanto comentador político.
António Costa não faz nada que o irrite, os ministros procuram saber o que pensa acerca dos assuntos delicados que têm entre mãos, os dirigentes do PSD engolem em seco as tiradas que Marcelo dirige à forma de governar de Pedro Passos Coelho.

Hoje, o jornal «I» titulava “Costa prefere comprar guerra com BE do que com Marcelo”, aludindo ao facto do governo não estar a pensar em pôr fim às parcerias público-privadas como tanto quer a esquerda política em Portugal, de molde a evitar ruturas com o Presidente.
Na semana passada, não foi o ministro da saúde que falou aos portugueses sobre o tradicional caos das urgências hospitalares durante os meses de dezembro e janeiro, mas sim Marcelo que deu o conselho “Não Corram para as Urgências”.
Hoje Marcelo volta a cobrir a política do governo, ao caucionar a intenção do governo de trazer os delicados temas da violência, sexo e drogas para o debate escolar. 
Há um mês o JN titulava, indignado, que estavam a pôr as criancinhas de 10 anos a discutir o aborto.
Como o PSD e o PP não clamaram contra a ousadia socialista, com veemência, o tema não preencheu o espaço mediático como se esperava e, depois da poeira assentar, Marcelo lá veio dar a sua bênção à ideia dos Ministérios da Educação e da Saúde, ao dizer: “É um absurdo achar que as pessoas podem contactar com essas realidades no dia-a-dia, na televisão, na internet, e não falar nisso na escola”.

Apesar de claro, Marcelo sabe amaciar o seu eleitorado mais conversador: “Eu aí, confesso, sou um pouco conservador…” Reparem como ele evita falar em sexo, drogas, violência, preferindo antes “essas realidades”, “falar nisso”. Com um presidente assim, um governo sente-se muito mais confiante. Até porque em matéria económica (onde o governo tinha muito a provar, especialmente dentro da União Europeia), Marcelo tem sido uma guarda-chuva à prova de intempérie. Quando ele cauciona a política do governo, ao dizer que “vamos conseguir”, é para Bruxelas e Berlim que ele está a falar, em especial para os seus camaradas do Partido Popular Europeu e em particular para o senhor Wolfgang Schäuble.

Marcelo está a ir muito para além do que é pedido a um presidente. Com o beneplácito do povo,  que tem completamente na mão, é ele que preside, que governa e orienta o país, até em matérias de educação e costumes. Com jeitinho (que tem imenso) marca a agenda, organiza a tática e prepara-se para chutar à baliza. Não foi ele que disse que crescer mais não chega, temos de crescer muito mais?

Gabriel Vilas Boas
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